
A BANDEIRA
"Segundo alguns autores, a bandeira foi desenhada em Buenos Aires, por Tito Lívio Zambeccari, republicano italiano que veio para o Rio Grande do Sul e lutou ao lado dos revolucionários, sendo braço direito do General Bento Gonçalves. Dante de Laytano, em sua obra História da República Rio-grandense, diz que a bandeira foi desenhada por João de deus, um republicano paulista.
Ainda sobre a bandeira republicana, discute-se muito
o significado de suas cores, entre os tantos significados que atribuem, nós
preferimos o que foi editado em 21 de Fevereiro de 1837, no jornal da época,
chamado "O Republicano", que consta na obra da Revolução Cisplatina,
de Alfredo Varela. Diz a nota, que o verde significa a esperança republicana de
manterem a sua independência, o amarelo é um sinal de firmeza e resolução nos
seus planos e o vermelho o prenúncio que lutarão contra quaisquer que o queira
dominar. O Vermelho é a cor republicana.
O BRASÃO
Sobre o brasão da bandeira republicana também existem muitas controvérsias, porém, achamos que Walter Spalding, em sua obra supracitada, explica com clareza como era o verdadeiro brasão da bandeira republicana. Ele diz que o referido brasão é composto de um escudo em lisonja partida em pala de sinople. Em um paralelogramo de ouro, inscrito na parte média do escudo, um barrete frígio vermelho, sobre um punhal ou sabre, posto em pala, tendo aos lados dois ramos de louro e de erva mate. Na parte superior do escudo, uma roseta amarela e outra na parte inferior. Aos lados da lisonja, assenta sobre uma colina verde, duas colunas amarelas, também assentadas sobre colinas verdes. O todo é inscrito (inserido), num oval azul orlado de amarelo. Ao redor desse brasão, são vistos os troféus de armas e quatro bandeiras republicanas, sendo duas de cada lado, tal como a criada pelo decreto de 12 de Novembro de 1836.
Como vimos, nenhuma palavra ou frase constava no verdadeiro brasão republicano. Os dizeres: Liberdade, Igualdade e Humanidade, que aparecem nas bandeiras oficializadas a partir de 1891, nunca fizeram parte do verdadeiro brasão republicano que descrevemos.
Dois fatos no entanto devemos deixar claro, o primeiro nos dá conta que esses dizeres foram usados pelos republicanos, a partir de 1839. As comunicações feitas pelos republicanos que ocuparam Santa Catarina e proclamaram a República Juliana, começavam sempre por: Liberdade, Igualdade e Humanidade. O Outro fator diz respeito ao brasão, que apesar de ter oficialmente existido durante a revolução republicana, ele jamais foi empregado como parte integrante da bandeira oficial. Ou seja, ela nunca se afastou daquele decreto de 12 de Novembro de 1836, pelo qual fora criado. Portanto, a bandeira republicana surgiu em 1836, era quadrada, contendo aquelas cores já referidas e sem o brasão, embora este existisse oficialmente.
A propaganda republicana tomou força a partir de 1891, e seus propagandistas acrescentaram, além das palavras Liberdade, Igualdade e Humanidade, mais os dizeres República Rio-grandense, 20 de Setembro de 1835, escrito num oval de prata e orlado em amarelo. Esse erro persiste até nossos dias, aliás estes erros, além das palavras que nunca existiram na verdadeira bandeira republicana, colocaram 20 de Setembro, nessa data não ocorreu nenhum fato importante relacionado com a revolução republicana de 1835, que iniciou no dia 19 de Setembro, à noite, e à 11 de Setembro de 1836, foi proclamada a República Rio-grandense. Se os propagandistas colocassem uma dessas datas na bandeira, evidentemente que teria um motivo histórico, enquanto que no dia 20 não tem nenhum significado histórico.
Para finalizarmos o estudo sobre o brasão republicano, podemos afirmar em linguagem maçônica, que ele está "justo e perfeito".
Se não vejamos, as rosáceas que se transformarão em estrelas, são as rosáceas do Sephiroth da Cabala.
E as colunas são, Jakin e Boaz, que simbolizam na maçonaria o espírito e a matéria, respectivamente.
Portanto, no verdadeiro brasão republicano a influência da sublime instituição maçônica está presente."
João Jaime Canabarro Rocha, Revolução Farroupilha Heróis e Traidores, pág. 94.
Sobre a excelente matéria de Canabarro Rocha cabe alguns comentários:
- Parece-me mais provável que o simbolismo das cores não tenham influenciado no autor da bandeira. Vejo o verde e amarelo imperiais separados pelo vermelho republicano. Com certeza este é o seu significado maior: A bandeira de um novo país republicano, separado do império pela força das armas.
- Convenhamos, os enxertos à bandeira à partir de 1891, mesmo maculando a original, a deixaram mais bonita e moderna.
- Mas concordo com o autor quando se refere às datas. Creio muito mais significativa e correta a data de 11 de Setembro de 1836 - Proclamação da República - quando teve início a verdadeira Guerra dos Farrapos, de um país independente, gaúcho e republicano contra um Brasil imperialista e várias vezes mais poderoso. Romualdo Negreiros
O HINO
LETRAS
E AUTORES
O Hino Rio-Grandense que hoje cantamos tem a sua história particular e, porque
não dizer, peculiar. Porque muitas controvérsias apresentou, desde seus tempos
de criação até os tempos de então. Oficialmente existe o registro de três
letras para o hino, desde os tempos do Decênio Heróico até aos nossos dias. Num
espaço de tempo de quase um século foram utilizadas três letras diferentes até
que finalmente foi resolvido, por uma comissão abalizada, que somente um deles
deveria figurar como hino oficial.
O PRIMEIRO HINO
A história real do Hino, começa com a tomada da então Vila de Rio Pardo, pelas
forças revolucionárias farroupilhas. Ocasião em que foram aprisionados uma
unidade do Exército Imperial, o 2° Batalhão, inclusive com a sua banda de
música. E o mestre desta banda musical, Joaquim José de Mendanha, mineiro de
nascimento que também foi feito prisioneiro era um músico muito famoso e
considerado um grande compositor. Após a sua prisão ele, Mendanha, teria sido
convencido a compor uma peça musical que homenageasse a vitória das forças
farroupilhas, ou seja a brilhante vitória de 30 de abril de 1838, no célebre
“Combate de Rio Pardo”.
Mendanha, diante das circunstâncias, resolveu compor uma música que, segundo
alguns autores, era um plágio de uma valsa de Strauss. A melodia composta por
Mendanha era apenas musicada. E o capitão Serafim José de Alencastre,
pertencente as hostes farrapas e que também era versado em música e poesia,
entusiasmado pelos acontecimentos, resolveu escrever uma letra alusiva à tomada
de Rio Pardo.
O SEGUNDO HINO
Quase um ano após a
tomada de Rio Pardo, foi composta uma nova letra e que foi cantada como Hino
Nacional, o autor deste hino é desconhecido, oficialmente ele é dado como
criação de autor ignorado.
O jornal “O Povo”, considerado o jornal da República Riograndense em sua edição
de 4 de maio de 1839 chamou-o de “o Hino da Nação”.
O TERCEIRO HINO
Após o término do movimento apareceu uma terceira letra, desta vez com autor
conhecido: Francisco Pinto da Fontoura, vulgo “o Chiquinho da Vovó”. Esta
terceira versão foi a que mais caiu no agrado da alma popular. Um fato que
contribui para isto foi que o autor, depois de pronto este terceiro hino,
continuou ensinando aos seus contemporâneos o hino com sua letra. A letra deste
autor é basicamente a mesma adotada como sendo a oficial até hoje, mas a
segunda estrofe, que foi suprimida posteriormente, era a seguinte:
Entre
nós reviva Atenas
Para assombro dos tiranos;
Sejamos gregos na Glória,
E na virtude, romanos.
O HINO DEFINITIVO
Estas três letras foram interpretadas ao gosto de cada um até meados do ano de
1933, ano em que estavam no auge os preparativos para a “Semana do Centenário
da Revolução Farroupilha”. Nesse momento um grupo de intelectuais resolveu
escolher uma das versões para ser a letra oficial do hino do Rio Grande do Sul.
A partir daí, o Instituto Histórico contando com a colaboração da Sociedade
Rio-Grandense de Educação, fez a harmonização e a oficialização do hino. O Hino
foi então adotado naquele ano de 1934, com a letra total conforme fora escrito
pelo autor, no século passado, caindo em desuso os outros poemas.
No ano de 1966, o Hino foi oficializado como Hino Farroupilha ou Hino
Rio-Grandense, por força da lei 5213 de 05 de janeiro de 1966, quando foi
suprimida a segunda estrofe.
HINO
RIO-GRANDENSE
Letra:
Francisco Pinto da Fontoura
Música: Joaquim José de Mendanha
Como
a aurora precursora
do Farol da divindade,
foi o vinte de setembro
o precursor da liberdade.
(Estribilho)
Mostremos valor constância
nesta ímpia e injusta guerra;
sirvam nossas façanhas
de modelo a toda a terra.
Mas não basta p’ra ser livre
ser forte, aguerrido e bravo;
povo que não tem virtude
acaba por ser escravo.