QUERO-QUERO

 

Neusa M. B. Secchi.

 

Pela Lei n 7.418, de 1º de dezembro de 1980, o Estado do Rio Grande do Sul instituiu, como sua Ave-símbolo, o Quero-Quero, cujo nome científico é Venellus chilensis. Popularmente, também é conhecido como “térem-terém”, ou “téu-téu”.

O quero-quero tem voz extremamente estridente. Adota, às vezes, a tática de pescar, semelhante a certas garças, espantando larvas de insetos e peixinhos ocultos na lama, mexendo rapidamente um pé. É comum em todo o folclore brasileiro, de Norte a Sul, participar de cantos, estórias, tradições. Também é cantado e citado em poemas regionais do Rio Grande do Sul.

Rui Barbosa, em 1914, incluiu-o num discurso célebre pela vivacidade maliciosa e originalidade da sátira. Evocou a “figura imperatória do quero-quero, o chantecler dos potreiros. Este pássaro curioso, a que a natureza concedeu o penacho da garça real, o vôo do corvo e a laringe do gato, tem o dom de encher os descampados e sangas das macegas e canhadas com o grito estrídulo, rechinante, profundo, onde o gaúcho descobriu a fidelíssima onomatopéia que o batiza”.

Ave tradicional dos campos gaúchos, com o chamativo de preto, branco e cinzento na plumagem, o penacho na cabeça com cauda branca e os olhos vermelhos. O quero-quero é facilmente encontrado em todas as estações do ano, em qualquer parte do Estado onde existe um pedaço pequeno de seu habitat preferido, o campo.

Vive em casais e a fêmea normalmente põe de três a quatro ovos em campo aberto. O casal defende rigorosamente seu território de criação, com vôos rasantes, atacando os intrusos. Possui um esporão pontudo, ósseo, no encontro da asa e que pode ser usado para a sua defesa.

Vê-lo cruzando no céu ou ouvi-lo cantando ao longe é como receber boas-vindas por estar no RS. Chamado de “Sentinela dos Pampas”, está sempre em alerta, noite e dia, dando sinais a grande distância de quem se aproxima.

 

Se um grito de fero açoite            Quero-quero vai voando

Estruge no ar austero,                E os  esporões vai batendo;

Não tremas, é o quero-quero           Quero-quero quando grita,

Que vem dar-te a boa noite            Alguma coisa esta vendo.

Simões Lopes Neto (Cancioneiro Guasca)

 

LENDA DO QUERO-QUERO

Quando a Sagrada Família fugia para o Egito, com medo das espadas dos soldados do Rei Herodes, muitas vezes precisou se esconder no campo, quando os perseguidores chegavam perto.

Numa dessas vezes, Nossa Senhora, escondendo, o Divino Piá, pediu a todos os bichos que fizessem silêncio, que não cantassem, porque os soldados do rei podiam ouvir e vir da fé.

Todos obedecem prontamente, mas o quero-quero, não: queria porque queria cantar. E dizia: Quero! Quero! Quero!

E tanto disse que foi amaldiçoado por Nossa Senhora: ficou querendo, até hoje.

 

 

 

 

 
 


Quero-Quero

 

Valsa campeira

Letra e música de L. C. Barbosa Lessa

 

Quero-quero! Quero-quero!

Quero-quero gritou lá em cima,

Quero-quero quando grita

É porque alguém se aproxima.

 

Quer-quero no meio da noite

Gritou porque viu alguém se aproximar.

Eu, também, na noite da vida,

Enxerguei essa luz que vem de teu olhar.

Mas agora, gauchinha,

Eu grito com todo fervor:

Quero-quero! Quero-quero!

Quero-quero o teu amor!

 

 

 

 

LEI:   7.418



LEI Nº 7.418, DE 1º DE DEZEMBRO DE 1980.

Institui como Ave-Símbolo do Rio Grande do Sul o Quero-Quero, Belonopterus Cayennensis.

JOSÉ AUGUSTO AMARAL DE SOUZA, Governador do Estado do Rio Grande do Sul.

Faço saber, em cumprimento ao disposto no art. 66, item IV, da Constituição do Estado, que a Assembléia Legislativa decretou e eu sanciono e promulgo a Lei seguinte:
Art. 1º - É consagrada como ave-símbolo do Estado do Rio Grande do Sul a ave "Belonopterus Cayennesis", predominante nos campos gaúchos e popularmente conhecida como "Quero-Quero".
Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário.
Art. 3º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

PALÁCIO PIRATINI, em Porto Alegre, 1º de dezembro de 1980