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Nenhum
outro cavalo é tão amado e respeitado como o crioulo no Rio Grande do Sul.
Companheiro histórico do gaúcho, tanto no campo quanto na cidade ele é um
fenômeno aglutinador que derruba barreiras sociais e independe de estilos de
vida
Por Verena Glass
Fotos Oswaldo Maricato
Fim de tarde na cabanha Santo Ângelo, em Uruguaiana, RS: homens e animais se
preparam para descansar depois de um dia de trabalho duro
Sua história talvez não tenha o mesmo glamour da de raças selecionadas para
esportes "nobres", como o turfe ou o hipismo clássico, nem é a sua
criação um negócio milionário, mas o fato é que o cavalo crioulo, que vem
conquistando um espaço cada vez maior na eqüinocultura nacional, desperta
verdadeiras paixões no Rio Grande do Sul; é um amor antigo e intenso,
alimentado por séculos de interdependência entre homem e animal, como não se
encontra em nenhuma outra região do país. O crioulo, antes mesmo de ser
registrado como raça, foi o companheiro inseparável dos pioneiros que
colonizaram a região, sendo, por muito tempo, o único meio de transporte
tanto dos estancieiros quanto das tropas que fizeram as revoluções e
defenderam as fronteiras no Estado. Mesmo hoje, não é difícil entender por
que no coração do homem das planícies gaúchas, onde se estendem os pampas e
se desenvolve uma das mais eficientes pecuárias de corte e a maior criação de
ovinos do Brasil, esse cavalo ocupa um espaço especial.
Nas grandes estâncias de gado ou ovelhas do Rio Grande do Sul, os peões
muitas vezes passam mais tempo com suas montarias do que com a família. No
gelado inverno gaúcho, por exemplo, o primeiro ser vivo que o semaneiro (ver
"Entendendo o gauchês") vê quando levanta da cama é o cavalo
sogueiro. Porque às cinco e meia da manhã, hora em que esse peão, responsável
pela recolhida, acorda, ainda está escuro. Lá fora faz um frio de renguear
cusco, como dizem no Sul, por isso é bom que o sogueiro fique preso em um
piquete ao lado do galpão dos peões. Quando eles levantarem, a água para o
primeiro mate estará quente, a ovelha, carneada no dia anterior, estará
assando, os cavalos terão sido trazidos do pasto, e às seis e meia os homens
estarão prontos para receber as ordens do capataz. Esses peões passarão o dia
recorrendo à estância no lombo de seus crioulos, verificando cercas, checando
a criação, separando animais para a marcação ou para o banho de remédio,
enfim, cumprindo as funções do manejo de uma típica fazenda gaúcha.
Nas grandes estâncias gaúchas, muitos animais e trabalho de sol a sol
O peão João Luís Monteiro levou esta vida durante mais de 50 anos na estância
Nazareth, em Uruguaiana, município localizado na fronteira do Estado do Rio
Grande do Sul com a Argentina e o Uruguai. Desde adolescente, foi mestre em
domar animais chucros no estilo tradicional - ou seja, no muque -, e hoje,
aos 75 anos, é chefe da cabanha do pecuarista e criador de cavalos crioulos
Luís Martins Bastos. A longa convivência, permeada pelo amor por esses animais,
criou laços tão profundos entre o velho peão e a família do estancieiro, que
a sua ligação vai muito além da convencional relação patrão-empregado. Essa
cordialidade, por sinal, é uma característica nesse tipo de atividade,
explica Luís Antônio Bastos, filho de Luís Martins e um dos vice-presidentes
da ABCCC - Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Crioulo. "É bem
verdade que, em nossas estâncias, nós reunimos os melhores peões da região.
Os resultados produtivos dependem do trabalho e da dedicação desses homens, e
é por isso que o companheirismo e o respeito mútuo são de fundamental
importância", diz Luís Antônio.
Francisco Bastos é capataz: tem a vida que pediu a Deus
Para os Bastos, que ainda cultivam arroz e lidam com gado e ovelhas de lã,
criar crioulo é uma tradição tão antiga e importante quanto usar bombacha.
Consta dos anais familiares que o primeiro Bastos, um açoriano que chegou em
Uruguaiana em 1700 e pouco, entrou na cidade tocando uma tropilha de cavalos
baios, lá se instalou e iniciou uma grande criação de bovinos, atividade
principal dos seus descendentes até hoje. Desde então, todo filho homem que
optou pela vida na estância tem sua própria tropilhabaia, como é o caso de
Francisco Martins Bastos Sobrinho, filho de Luís Antônio e sexta geração
dessa família de cavaleiros. Aos 26 anos, este estudante de administração
trabalha como capataz da cabanha Santo Ângelo, outra propriedade dos Bastos,
onde é feita a criação do gado destinado aos grandes leilões das raças angus,
brangus e polly hereford. Tão bom de laço e na paleteada como qualquer um de
seus peões, Francisco é o herdeiro natural da linhagem Bastos de
estancieiros. "Gostaria de gostar menos da fazenda, mas a coisa está no
sangue", explica o rapaz, para quem felicidade significa recorrer a
estância de sol a sol com seus homens, para o desapontamento das moças da
cidade, como confidencia o pai Luís Antônio.
O cavalo crioulo se originou dos animais de sangue andaluz e berbere
introduzidos no país pelo aventureiro espanhol Dom Alvar Nuñes Cabeza de Vaca
nos primeiros anos após o descobrimento. Aqueles que foram se perdendo da
comitiva de Cabeza de Vaca durante as suas campanhas na região passaram a se
criar livremente nas planícies da Argentina, do Uruguai e do Brasil, vivendo
em estado selvagem por cerca de quatro séculos. Nesse período, as duras
condições do clima acabaram criando, através da seleção natural, uma raça
extremamente resistente tanto a temperaturas muito baixas ou muito altas,
quanto à seca e à falta de alimento. "A história da colonização do cone
sul da América do Sul é bastante semelhante à do oeste americano",
explica Luís Antônio. Assim como os mustangues norte-americanos, os animais
que deram origem à raça crioula eram caçados e domados tanto pelos índios
cavaleiros, os charruas, quanto pelos estancieiros. "Um cavalo domado
era extremamente precioso, já que o homem dependia completamente de sua
montaria. O roubo de um animal era considerado um crime grave, ao mesmo tempo
que não poderia haver maior demonstração de afeto do que dar um bom cavalo de
presente a um amigo", diz o criador.
A tropilha de crioulos baios é a marca registrada dos Bastos, em homenagem ao
primeiro membro da família que chegou à região
Os bons serviços prestados pelo cavalo crioulo, tanto no passado quanto no
presente, lhe valeram um tratamento bastante respeitoso nas estâncias da
família Bastos. Cada peão, por exemplo, tem direito a dois animais por
semana, um para o serviço matutino e outro para o trabalho da tarde. Depois
de cada turno, o peão banha seu cavalo, para evitar que o sal do suor cause
feridas nas costas do animal no contato com a sela, e após uma semana de
serviço pesado, ele tem um mês de "férias" no pasto antes de voltar
ao batente. Isso significa que cada peão tem um total de oito animais à sua
disposição, o que só é possível, claro, em propriedades de grande porte.
Juntos, os membros da família Bastos têm um rebanho de mais de 1.000 cavalos
crioulos, provavelmente o maior da América Latina. Os 300 animais de Luís
Antônio, dos quais a maioria é criada para a lida no campo (um número menor é
selecionado para a venda em leilões e participações em exposições), são
alimentados exclusivamente a pasto, desenvolvendo sua potencialidade total
sem nenhum tipo de complementação alimentar. Todos os animais, com exceção
dos garanhões reprodutores, que ficam na cabanha, vão para a lida a partir
dos 3 anos. Aos 8, as éguas são reservadas para procriação, idade que pode
diminuir em caso de animais muito bons. Os cavalos de serviço trabalham, em
média, até os 17 anos, quando são descartados. "Se um animal for muito
mimoso do peão, ele permanece mais tempo na estância, assim como os cavalos
dos patrões, que geralmente são os melhores e se aposentam no pasto,
desfrutando de um merecido descanso até a morte por velhice. É o mínimo que
podemos fazer por um velho companheiro", diz Luís Antônio.
HISTÓRIA E TRADIÇÃO
Descendente direto dos primeiros cavalos trazidos para a América Latina pelos
espanhóis, ele está presente em praticamente todos os estados da União,
segundo mostram dados da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos
Crioulos (ABCCC) , com sede em Pelotas (RS). Segundo o Relatório populacional
da raça, emitido pela entidade, estão registrados 84.741 animais, entre
machos e fêmeas, espalhados por 22 estados brasileiros.
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PROVAS FUNCIONAIS
A eficiência funcional do crioulo,
sua rusticidade, longevidade e baixo custo, atrairam muita gente para a raça.
Hoje o número de criadores já ultrapassa os cinco mil, metade deles
associados a ABCCC. Desse total grande parte não são do meio rural, tendo
aderido a criação em busca do lazer ou das provas funcionais, organizadas
pela Associação Brasileira de Criadores.
As provas funcionais foi que deram origem ao Freio de Ouro, uma competição
realizada unicamente por esta raça. É o Freio que testa na prática toda a
potencialidade e habilidade do cavalo Crioulo, envolvendo cerca de 800
animais em mais de 30 provas Credenciadoras.
Cada uma dessas credenciadoras selecionam no máximo 4 machos e 4 fêmeas para
etapa seguinte, as Finais Classificatórias Regionais . Esta também
selecionadam no máximo 4 machos e 4 fêmeas, sem reservas e desde que os
animais atinjam 18 pontos pelos critérios de pontuação da ABCCC. Uma execeção
é feita em relação a Classificatória de Montevidéo, no Uruguai, que seleciona
somente dois machos duas fêmeas, fechando o número de animais que
participaram da final de Esteio, em 30 machos e 30 fêmeas.
A grande final do Freio de Ouro é realizada em Esteio durante a Expointer,
onde após dois dias de competições entre os melhores expoentes da raça, são
conhecidos os campeões, macho e fêmea, que recebem a mais alta congratulação
do meio crioulístico.
Ao longo de todo esse processo, praticamente um ano de competições
selecionando os mais destacados exemplares para a Final, centenas de
criadores e ginetes estão mobilizados, não só no Rio Grande do Sul, mas
também no Paraná e São Paulo, onde são realizadas Finais Classificatórias e
em Montevidéo, onde ocorre outra.
Este panorama dá uma idéia da dimensão que a raça alcançou, a sua organização
de desenvolvimento.
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PROVAS FUNCIONAIS
A eficiência funcional do crioulo,
sua rusticidade, longevidade e baixo custo, atrairam muita gente para a raça.
Hoje o número de criadores já ultrapassa os cinco mil, metade deles associados
a ABCCC. Desse total grande parte não são do meio rural, tendo aderido a
criação em busca do lazer ou das provas funcionais, organizadas pela
Associação Brasileira de Criadores.
As provas funcionais foi que deram origem ao Freio de Ouro, uma competição
realizada unicamente por esta raça. É o Freio que testa na prática toda a
potencialidade e habilidade do cavalo Crioulo, envolvendo cerca de 800
animais em mais de 30 provas Credenciadoras.
Cada uma dessas credenciadoras selecionam no máximo 4 machos e 4 fêmeas para
etapa seguinte, as Finais Classificatórias Regionais . Esta também
selecionadam no máximo 4 machos e 4 fêmeas, sem reservas e desde que os
animais atinjam 18 pontos pelos critérios de pontuação da ABCCC. Uma execeção
é feita em relação a Classificatória de Montevidéo, no Uruguai, que seleciona
somente dois machos duas fêmeas, fechando o número de animais que
participaram da final de Esteio, em 30 machos e 30 fêmeas.
A grande final do Freio de Ouro é realizada em Esteio durante a Expointer, onde
após dois dias de competições entre os melhores expoentes da raça, são
conhecidos os campeões, macho e fêmea, que recebem a mais alta congratulação
do meio crioulístico.
Ao longo de todo esse processo, praticamente um ano de competições
selecionando os mais destacados exemplares para a Final, centenas de
criadores e ginetes estão mobilizados, não só no Rio Grande do Sul, mas
também no Paraná e São Paulo, onde são realizadas Finais Classificatórias e
em Montevidéo, onde ocorre outra.
Este panorama dá uma idéia da dimensão que a raça alcançou, a sua organização
de desenvolvimento.
LAPIDAÇÃO
As provas funcionais tiveram um poder
de lapidação na morfologia da raça, declara o superitendente técnico Gilberto
Loureiro de Souza. Ele diz que antes cada um buscava um tipo de cavalo que
era uma orientação, um consenso de características que o Crioulo devia ter.
Porém foi depois do Freio, onde a análise morfológica é feita junto com as
funcionais medindo o desempenho, que foi possível conhecer as verdadeiras
características que devem ser comuns da raça.
"O crioulo deve ter o biotipo do cavalo de sela, abrigado dentro da sua
tipicidade racial" destaca Loureiro de souza, complementando que a
funcionalidade serve justamente para explicitar isto.
O General João Batista Figueiredo também foi entrevistado pela Horse Line a
respeito da sua visita ao município de Jaguarão e a influência que o fato
teve para a raça Crioula. Admirador de provas equestres de salto e
adestramento e com raízes no campo, pois seu avô tinha estância no RS, ele
lembrou com saudades aquele tempo.
"Adorei aquela festa gaúcha em 1980 e o que resultou daí porque com o
cavalo Crioulo o gaúcho soube espalhar por praticamente todos os recantos do
Brasil, uma cultura que era restrita ao Rio Grande do Sul.
De acordo com o general, o Crioulo é uma raça das que mais contribuiu na
pecuária do Brasil devido as suas características de rusticidade e força. Ele
aguenta 8 horas de trabalho direto no campo", salientou.
Apesar de considerá-lo baixo e pesado para a altura, Figueiredo experimentou
um Crioulo em provas de salto e conta como foi. "Tive um cavalo Crioulo,
o Bolicho, que ganhei quando estava na presidência e coloquei em provas de
salto. Apesar de ter 1,48 metros de altura, o Bolicho saltava em provas de 1,50
metros. É que esta raça compensa o seu peso com uma força excepcional.
A amizade e a solidadade existente na família crioulista são fatores
destacados pelo advogado Roberto Davis, da Cabanha Infinito, em São Sepé. Ele
iniciou o seu criatório em 1992 e já ganhou uma Credenciadora em 94 e o
sétimo lugar no FREIO DE OURO daquele ano com BT Debret - filho de Hornero -
atribui ao incentivo, apoio e orientação que recebeu dos crioulistas, o bom
desempenho que sua cabanha vem tendo.
Anteriormente sem vínculos com a vida campeira, Davis conta quesempre gostou
de cavalos e ao ter uma oportunidade comprou a Cabanha Infinito, iniciando o
seu criatório que conta atualmente com 91 animais entre machos e fêmeas.
Animadíssimo com a criação e as satisfações pessoais que está tendo nos
finais de semana, onde o prazer de montar é compartilhado pela esposa e
ostrês filhos, ele conta porque investiu nessa raça.
Eu conheci o cavalo Crioulo nas provas da Expointer e vi a identidade que ele
tem com a América Latina e o Rio Grande do sul. A qualidade racial e a
aptidão desse cavalo também são excepcionais, o que permite a competição com
qualquer outra raça. Aí eu resolvi investir no que é nosso, mesmo porque nós
temos aqui o maior banco genético do mundo no que diz respeito ao Crioulo".
A seleção criteriosa do cavalo Crioulo no RS, tanto no aspecto morfológico
quanto funcional, desenvolveu, paralelamente a linhagem criada na Argentina,
voltada principalmente ao aspecto morfológico e a chilena, mais preocupada
com a função, uma linhagem brasileira. a opinião é do presidente da ABCCC ,
Paulo Móglia.
Segundo o dirigente, "temos hoje os melhores animais dentro da raça
Crioula e pode-se dizer que já existe uma linhagem brasileira, aliando a
morfologia argentina e a funcionalidade chilena".
Esta linhagem, diz Móglia, já é reconhecida pelos países vizinhos e deve-se
as provas funcionais do FREIO DE OURO, responsáveis pelo grande
desenvolvimento da raça em relação aos outros países.
Essa superioridade racial motivou um dos atuais objetivos da ABCCC, a
expansão para outros tipos de provas onde o Crioulo se adapta muito bem, como
cavalgadas e o enduro.
A Associação também está ampliando o seu atendimento aos associados, comenta
o dirigente, auxiliando os novos criadores, dando assistência direta a todos
e promovendo um intercâmbio entre os crioulistas tradicionais e os que estão
entrando na raça.
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O Cavalo Crioulo moderno, criado no
Brasil, hoje, sintetiza os melhores valores americanos. O "design "
atual é o produto de melhoramento que uniu beleza exterior com a função. Os
dados morfológicos, segundo garante o Superintendente de Registro Genealógico
da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), Gilberto Loureiro
de Souza, estão em sintonia com a funcionalidade.
Para Loureiro de Souza, foram as provas funcionais a grande mola propulsora
que projetou a morfologia dos animais nacionais. "Os eventos funcionais
tiveram o papel de rapidamente lapidar a morfologia de hoje. Até tempos atrás
os animais eram avaliados pelo gosto pessoal. Já os julgamentos nas
exposições, agora, visam a enquadrar o exemplar dentro de um modelo físico
que dê respaldo a funcionalidade, afirma o superintendente, "queremos
qualificar um biotipo de cavalo de sela, mas mantendo o enfoque dentro do
padrão racial. Sabemos o que queremos e a nossa missão é orientar os
produtores no sentido da obtenção de animais sempre melhores. A altura na
cernelha, por exemplo, tem sido indicadores para a busca de exemplares com
medida abaixo de 1,45m.
O diretor da ABCCC, acha louvável otrabalho da seleção desenvolvida nos
úl-timos anos pois levou o criatório, rapidamente a um cavalo que é admirado
na América Latina. Segundo Loureiro, é um compromisso e uma responsabidade
manter essa qualidade, que retrata o desenvolvimento genético alcançado.
Tivemos a sensiblidade de buscar melhores linhagens do exterior e tivemos
ótimo resultado, festeja o veterinário.
O titular da Cabanha Tupambaé, Oswaldo Dornelles Pons reforçou afirmação de
que o que persegue na Raça Crioula é principalmente a tipicidade e pureza
racial. Isso significa um produto com silhueta de harmonia e equilíbrios
perfeitos. O material morfológico deve oferecer "um vistaço", diz o
proprietário da Tupambaé, que basicamente a descrição do fenótipo Crioulo
deve ter uma cabeça típica com ganachas bem pronunciadas (maxilar inferior) ,
presa a um pescoço caracteristicamente leve e orelhas curtas e bem separadas.
Pons, que tem atuado como jurado em exposições no Brasil e exterior, destaca
que as paletas devem ter inclinação adequeda a fim de desempenhar sua função
de sustentação do corpo do animal, algo entre 400 e 450 quilos quando adulto.
As canas (mãos) curtas e com aprumos corretos. Que seja perto do chão, boa
linha superior (das orelhas ao tronco da cola). Crinas e cola fartas. Os
garrões bem conformados.
Segundo Pons, estes elementos garantem uma silhueta própria de um biotipo
retangular. A altura não pode ser inferior a 1,40m nem superior a 1,50m .
Para o jurado, a altura ideal, entretanto é de exatos 1,42m. Através de
estatísticas tem-se verificado que os três primerios colocados no Freio de
Ouro apresentaram essa altura.
Um dos aspectos mais modernos da morfologia, certamente é o relativo ao trem
anterior. A conformação propugnada pelos fundadores da Associação dos
Criadores de Cavalos Crioulos, com relação ao pescoço, por exemplo, a a
orientaçãoestá totalmente separada dos conceitos modernos de seleção onde a
morfologia dá sustentação à funcionalidade: amplo, largo, forte, musculoso em
sua inserção no tórax, o que diz o standard ou padrão, aprovado em sua
fundação realizada em Bagé, em 28 de fevereiro de 1932. Mudança do mesmo
calibre sofreu a estatura para fêmeas cuja altura mínima, que era 1,38m, passo
para 1,40m, enquanto a altura máxima se manteve em 1,50m.
Segundo o veterinário Luiz Francisco Leite, técnico da ABCCC na região de
Bagé e Dom Pedrito, a fixação genética da característica "pescoço leve,
peito limpo, denota leveza no trem anterior. Segundo Luiz Francisco,
"são fatores importantes para funcionalidade ". Acrescentou que o
"animal mais leve na frente em maior liberdade de movimentos laterais já
que não há deslocamentodo centro de gravidade pesando o dianteiro". E
mais: com estas características o cavalo tem mais liberdade, agilidade e
velocidade de movimentos no giro sobre patas, importante habilidade para o
serviço nos bretes, onde se exige do cavalo verdadeiras manobras, dignas das
mais talentosas contorcionistas. "Um dianteiro pesado desloca o centro
de gravidade do animal, prejudicando os movimentos , reforçou Luiz Francisco
Leite. e acrescentou: "posteiro, sim, tem que ser potente a fim de
proporcionar mais potência impulsão para frente e vigorosa musculatura para
frear nas esbarradas sobre patas, concluiu.
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